quinta-feira, 24 de março de 2011

Primeiro capítulo de Morde & Assopra

Como eu havia dito em posts anteriores eu tinha muito receio do conteúdo da nova novela da globo de Walcyr Carrasco, Morde & Assopra.

Infelizmente não pude acompanhar tudo, e pra falar a verdade não tive saco pra ver tudo, mas vi um blog excelente, por sinal PARABÉNS VALÉRIA FERNANDES, pelo excelente blog que é o Shoujo Café, e espero sinceramente que no futuro possamos fazer alguma atividade em conjunto.

Portanto, sem mais delongas, faço das palavras da Valéria, e tenho que acrescentar ótimas palavras, as minhas:

"...Deixei o meu computador com a mesma programação para poder assistir o primeiro capítulo da novela do Walcyr Carrasco. Não pensem que eu queria ver somente o que ele vai fazer dos otakus. Aliás, isso me importa muito pouco, dado o escândalo que fizeram no Twitter, ele provavelmente vai esculachar. Eu queria ter uma visão geral da coisa e estava curiosa para ver como iriam colocar o tal terremoto, que poderia ferir as sensibilidades dos japoneses e descendentes, segundo os jornais, e como seriam retratados os paleontólogos, já que meu irmão é um deles.

Enfim, fazia tempo que eu não via um espetáculo tão constrangedor em uma novela. Tirando a mensagem aos japoneses e de força para que o Japão se reerguesse, tudo foi um desfile de bizarrices. Com um elenco encabeçado por uma Adriana Esteves, grande atriz, uma das melhores de sua geração, e o excelente Mateus Solano, que tem tudo para se tornar um dos melhores atores do Brasil, ver tanta bobagem junta, tanto diálogo constrangedor, dói muito. Nem vou falar do núcleo rural com os sotaques forçados. Eu até gosto do Marcos Pasquim, acho que ele tem potencial, mas quando vão deixar esse rapaz sair do papel de truculento-pegador?

Toda novela das seis (*nunca vi a das sete dele*) do Carrasco tem um núcleo assim. Todo mundo na cidade fala “carioquês leve”, mas há um enclave caipira, sabe-se lá como. É tradição. Triste foi ver o engenheiro brilhante, com ar distraído e descabelado, indo ao Japão, porque quer ressuscitar a noiva por “amor” na forma de um robô. Tadinho do Mateus Solano. Eu ouvi aquelas falas e fiquei pensando que ele poderia, sim, estar fazendo algo muito melhor. Mas o pior foi a “caçadora de dinossauros”. Foi a primeira vez que vi alguém precisar de doutorado para casar. Como assim? Perdeu os fósseis e não vai conseguir casar? Cara, fazer uma tese dá muito, muito trabalho, ela pode casar sem tanto esforço. Só foi isso que o autor colocou no primeiro capítulo. Depois de um terremoto fake que mostrou, mais uma vez, que a Globo não sabe fazer cenas de ação ou usar efeitos especiais, a personagem de Esteves, que por ser chefe da tal expedição já deveria ser doutora, só faz chorar, porque agora todos os seus fósseis estavam perdidos e ela não poderia terminar o doutorado e casar com o seu inglês, que fora os belos olhos, não parecia ter muito a oferecer. Eu fiquei fazendo a lista mental de um monte de ingleses interessantes dos seriados da BBC que eles poderiam, quem sabe contratar para uma pontinha... E, o mais estranho, a novela colocava a turma falando em inglês sem legendar...

E, bem, se a preocupação era a sensibilidade dos japoneses, a seqüência dos trabalhadores japoneses tendo xilique por causa do dragão (*sim, não era dinossauro*) que foi desenterrado, falando em má sorte, maldição, etc., foi muito pior que o terremoto fake. Eu tenho um irmão paleontólogo e vou confirmar com ele isso depois, mas acredito que em sítios de escavação só trabalhem pesquisadores (doutores, mestres, doutorandos, mestrandos), e estagiários (*graduandos*), com raras exceções. Fora isso, o trabalho de escavação é muito delicado, não é chegar lá e marretar, como mostrado na novela. Só que os japoneses-fake eram peões que ficavam lá cavando e cavando... Além de serem ignorantes, obtusos, supersticiosos, enfim, ridículos. Eu me senti ofendida com aquilo. Muito mesmo, imagino se eu fosse japonesa.

Mas a parte científica da coisa foi pior. Não há curso de paleontologia no Brasil, ou de arqueologia, são especializações, por assim dizer, mas uma Bárbara Paz caricata diz algo como “Fiz o curso, porque era fácil passar no vestibular”. Ela será a vilã afetada e ridícula. Adriana Esteves, importante pesquisadora, não parecia saber que há vários sítios paleontológicos importantes em nosso país (*ou na Argentina, aqui do lado*) e trabalhos muito sérios, como os feitos pelo Museu Nacional no Rio. Ela precisou ir para o Monte Fuji. Sim, o Monte Fuji... Outro desserviço – apesar de alguma criança poder cismar em seguir carreira na área por causa da novela – é ver que somente os dinossauros têm valor. Segundo meu irmão, a maioria das verbas vai para o pessoal dos dinossauros, afinal, eles têm muito mais espaço na mídia. Isso é fato, crianças gostam de dinossauros, porque eles aparecem em filmes, desenhos, brinquedos. Só que tudo na novela precisa ser grande, completo, bem visível, como o crânio imenso encontrado no primeiro capítulo. Coisas pequenas – conchas, por exemplo – foram citadas com desprezo. Quem se importa? E a conversa “científica” entre a Adriana Esteves e o noivo paleontólogo-picareta-bam-bam-bam? Que primarismo..."


Não preciso nem acrescentar nada, Valéria, mais uma vez parabéns, continue o excelente trabalho!

Jake Rodrigues

3 comentários:

luanebulosa disse...

Posso até parecer elitista e hermética demais no comentário abaixo mas é assim que penso mesmo e pronto.

Alguém pode por favor me explicar como é que a Globo ainda se mantém na liderança da audiência?

Só pode ser por tradição de algumas famílias né, de "quando eu era pequena minha mãe via novelas da globo, e hoje eu assisto com minha filhinha pra preparar a telespectadora da próxima geração".

Céus o que é isso?! roteiros fracos, enredos estranhos, efeitos mau executados. É esse o máximo de entretenimento que a tv aberta pode proporcionar?

Por isso há anos que troco as novelas por filmes ou livros. Não me arrependo nem um pouco e gostaria de recomendar a todos que o fizessem pois só tem a enriquecer sua bagagem cultural.

Valéria Fernandes disse...

Jake, obrigada por ter repostado o meu texto. Colocando o link para o meu blog e a refer~encia não há problema. :)

Abraços!

Babi Oliveira disse...

Já conhecia a Valéria e o Shojo Café!
realmente, tambem concordo com ela, mas como te falei, sobre os "trabalhadores japoneses tendo xilique" o mundo todo está vendo o comportamento do povo japones diante de um real acontecimento!
E a globo, na minha opinião passou vexame.

Continua com o blog, pois é ótimo ver as notícias e curiosidades fresquinhas^.^~

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